Plágio é crime!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O FIM


Como já era hábito, o carteiro vinha rente á hora de almoço e Rosa ouvindo o doce som da campainha da bicicleta vinda á porta, sempre ansiosa de receber uma carta do seu amado, e atestar a sua boa saúde.
Mas naquele dia, 4 de Janeiro de 1945, foi diferente. O correio entregou uma carta que trazia o selo do exército. Quando abriu a carta, o choque foi tremendo.
“O soldado Rui da Silva Mascarenhas perdeu a vida numa missão de extrema importância para a guerra, acabou morto por fogo inimigo. Ele era sem dúvida um soldado distinto, um dos mais corajosos e distintos da sua companhia, um verdadeiro herói. Esta missão foi uma reviravolta importante na guerra, uma vitória quase avassaladora não fosse a morte deste grande soldado.
Deixamos aqui os nossos sentidos pêsames, e relembrar que este homem foi um verdadeiro herói.”
Foi assim só com estas palavras que foi comunicada a morte de Rui a Rosa, apesar disto a história não foi bem assim, e a missão não foi importante para a reviravolta da guerra, nem sequer para garantir a segurança de ninguém, mas sim para fazer uma demonstração de poder perante um pequeno grupo de alemães que queria render-se.
Tal como estava planeado na noite do dia 31 de Dezembro de 1944, um pequeno grupo de soldados iria acabar com uma última resistência numa vila ali perto, quando chegaram perto da vila os alemães hastearam uma bandeira branca, de rendição. Perante isto os soldados pensaram que estava tudo acabado, podiam ir embora que o assunto estava resolvido, mas o general não pensou assim e disse “nós vamos cumprir a missão, quero aqueles boches todos mortos, já!”. Posto isto os soldados foram e quando chegaram perto da casa, alguém parte o vidro com tiros e manda uma granada para dentro da casa, Rui abre a porta para entrar no preciso momento em que a granada vai rebentar, acabando por ser atingido por os estilhaços e tem uma morte quase imediata. Esta morte só aconteceu por uma necessidade grotesca de querer mostrar força perante as populações locais.

Rui deixou ainda uma última carta a Rosa, que seria entregue caso ele não chegasse com vida.

“Se receberes esta carta será porque não voltarei, com vida, ou pelo menos no meu pleno estado mental.

Meti-me nesta guerra para provar que sou homem, para provar a mim próprio que era homem para ti. Agora por causa deste meu capricho estás sozinha e com um filho meu no ventre. Por tudo o que passei aqui aprendi que a melhor coisa na vida é o sentimento, a camaradagem, a amizade, o amor. Só nas situações limite é que aprendemos a lidar com as dificuldades, e é nestas situações que damos o real valor a tudo, até às coisas mais pequenas e insignificantes.

Aqui aprendi que na vida temos que ter prioridades, e tu deverias sempre ter sido uma delas, tu e o nosso filho, mas não o fiz e acabei por pagar com a vida. De hoje em diante espero que sigas a tua vida, que dês um pai ao nosso filho, mas alguém que te respeite mais do que tudo. Agora com isto só espero que sejas feliz, mais feliz do que conseguiste ser comigo.

Acima de tudo, foste a mulher da minha vida, e eu amo-te, amo-te demais . Morrerei com a tua fotografia junto ao meu coração, pois é ai que sempre estiveste, e se Deus me permitir, hei-de ser o teu anjo da guarda, teu e do nosso filho. Adeus, até um dia!”

2 comentários:

Filipa disse...

Segui minuciosamente todos os dias deste diário, foi algo muito forte, muito vivido , com imenso sentimento à mistura.
Nao esperava este fim, mas realmente foi muito bem escolhido!
Continua a escrever assim *

Vanessa Santos disse...

se o que eu escrevo é fantástico, o que tu escreves é maravilhoso :)