Plágio é crime!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dia 53

Tenho estado todo este tempo na linha da frente,já há um mês que não vinha há cidade.
Quando aqui cheguei fui procurar uma refeição quente no posto de medicina, para horror meu os corpos dos homens estavam amontoados há porta, lá dentro estavam centenas de feridos para algumas enfermeiras e apenas dois médicos. Havia falta de tudo, nós somos o posto mais avançado e por isso o abastecimento acontece por via aérea, o que torna tudo muito difícil.
Já na linha da frente as coisas não estão muito melhores, os alemães vão fazendo pequenas provocações, provocam pequenos conflitos principalmente de noite, fazendo assim com que nós não descansemos, e com isso estão a conseguir abalar a nossa moral. Lá dormimos em pequenos buracos tapados com um pano, para evitar a entrada da neve, e só com uma abertura para ver a linha da frente. Muitas vezes temos que dormir três dentro do buraco,para conseguirmos aquecer.
Aqui nesta floresta, coberta de neve, com cheiro a morte, cheia de inimigos que lutam por a sua pátria, por a sua família, por a sua terra, eu sinto-me só mais um homem á espera da morte, mais um homem que espera fielmente por a bala que lhe vai tirar a vida, num cenário que não é humano, numa triste demonstração de poder de alguns, contra a impotência da vida de outros.
Eu amo-te, e este é o único sentimento que tenho capacidade de exprimir neste momento, é o único sentimento que me dá força para acreditar que vou sair daqui com vida.

28\11\1944

Dinis

1 comentário:

Cristiana Lourenço disse...

ainda bem que gostas, obrigado por comentares :)